É, o pedido da nação para que o time não nos deixasse aflitos não foi atendido e mais uma vez eu quase morro do coração.
O Ceará veio pra Salvador com o intuito de acabar com a festa do tricolor, que tinha casa cheia (32.157 pagantes).
Eu já cheguei em Pituacives preocupado com a escalação do Joel, o meio de campo foi formado por Marcone de primeiro volante, Fabinho de segundo, o antes perdido Camacho de terceiro e o talisca Gabriel como armador. Minha preocupação era imensa, já que sempre duvidei do futebol de alguns que formavam o "corpo" tricolor.
O primeiro tempo começou com pressão total do Ceará, o time alvinegro era melhor na partida, apertava a saída de bola do Bahia (que não é das melhores), chegava com bastante perigo, principalmente nas investidas do tagarela Osvaldo. O Bahia se defendia, se segurava, mas sempre acabava deixando espaços para o time aguerrido do Ceará. Porém, a eficiência pesou e, aos 15 minutos, Camacho acertou um lindo chute de fora da área, indefensável, 1 a 0 Bahia. A partir daí o que se via era um Ceará tocando bem a bola, mas parando na boa marcação do tricolor, que trabalhava bem a bola quando a dominava, principalmente com a participação de Camacho.
O Ceará levou muito perigo quando, após cruzamento do baixinho Osvaldo, Rudnei cabeceou no travessão, deixando a torcida tricolor preocupada. O tricolor, por sua vez, levava sempre perigo nas tabelas e belos passes assinalados pelo volante mais criticado do elenco (precisa do nome?).
Com a inspiração, antes ausente, do camisa 16 tricolor, o Bahia chegou ao segundo tento. Com grande liberdade, Camacho deu passe pra Lulinha, que chegou a se atrapalhar, mas bateu no canto de Diego, fazendo a alegria tricolor explodir no estádio Roberto Santos, aos 44 do primeiro tempo.
Entretanto, aí entra aquela velha mania do Bahia de vacilar após fazer o gol. O time cochilou e, quando todos ainda comemoravam o gol de Lulinha, Felipe Azevedo bateu seco no canto esquerdo de Lomba, diminuindo para o já desacreditado alvinegro cearense (O Cruzeiro já aplicava 4 a 0 no Atlético, acabando com as chances do Ceará se segurar na série A).
O segundo tempo começou, e a partir daí, as unhas do torcedor tricolor foram judiadas. O Bahia voltou a campo sem inspiração, sem poder de fogo nenhum. Danny Morais deu lugar a Paulo Miranda, que saiu sentindo uma contusão. Com apenas 15 minutos passados da segunda etapa, o Ceará já tinha chegado duas vezes com muito perigo à meta do esquadrão.
Após perceber a queda de rendimento do time, Joel colocou Júnior no lugar de Lulinha. Não adiantou muita coisa, o time parecia estar nervoso com uma situação simples. Jogava contra um rebaixado como se estivesse descendo pra o lugar do vice (bate na madeira). O time não conseguia cadenciar o jogo, não tinha ninguém com qualidade pra isso no meio de campo e, com isso, deixava com que o Ceará partisse pra cima e tomava pressão.
A essa altura do jogo, com a goleada da Raposa, o Ceará já estava rebaixado e seus torcedores apanhavam da Polícia Militar. Torcedores de uma organizada do bahia foram atrás e alguns acabaram entrando na pancadaria, manchando o que era uma grande festa. LAMENTÁVEL.
Voltando ao jogo, Nikão deu lugar ao aplaudido Camacho, que sentiu dores na coxa. O time passou a ter mais posse de bola, mas o Ceará ainda chegava bastante, ora pelo lado esquerdo com Vicente e Osvaldo, ora pelo lado direito com Felipe Azevedo.
Aos 47 minutos, o juiz apitou e deu início à festa de um lado e tristeza do outro. O Bahia, após 22 anos, volta a disputar uma competição internacional. O time cearense volta pra casa com um rebaixamento na bagagem.
Quando o jogo terminou, uma cena me chamou bastante a atenção. Os jogadores comemoravam bastante, mas dois entre eles se destacaram. Marcelo Lomba e Marcos foram fazer a festa ao lado da torcida e ambos jogaram suas camisas para a nação. Marcos, em especial, entregou sua camisa para um torcedor que não conseguiu se equilibrar e pulou na pista. Os policiais já iam chegar mais forte, quando o lateral tricolor interveio e deu um abraço, que aparentava ser sincero e comemorou muito junto com o felizardo torcedor tricolor. Realmente, foi lindo de se ver, não é sempre que vemos jogadores assim, que sentem algo a mais pelo clube.
AVALIAÇÃO INDIVIDUAL:
Marcelo Lomba: Mais uma vez foi um monstro, foi reverenciado antes do jogo, fechou a meta e foi novamente reverenciado, merecidamente, pela torcida no final do embate. Ficaria muito feliz se continuasse no clube, tem tudo pra ser ÍDOLO.
Marcos: Apesar de ter errado alguns cruzamentos, foi muito bem na partida. Ressalto sua posição defensiva, que foi muito eficiente nessa reta final do Brasileirão. É um jogador, que apesar de limitações técnicas, tem muita vontade e, aparentemente, joga com muito amor. Tem que renovar.
Paulo Miranda: Sempre bem, o zagueiro hoje não deu nenhum grande susto. Encerra bem a temporada e segue seu rumo. Foi muito bem na competição e merece ser elogiado. Boa Sorte pra ele !
Titi: O capitão foi outro que se destacou (como sempre se destaca) na partida. Sempre com grandes roubadas de bola e qualidade na hora de sair jogando, o capitão mostrou que é um dos principais zagueiros da competição e seria ÓTIMO se continuasse no time. Da mesma forma que Lomba, pode se tornar ídolo da torcida.
Ávine: Não fedeu, nem cheirou. Parece que perdeu a confiança de partir pra cima do adversário (característica do Ávine do acesso pra série A), precisa melhorar muito técnica e fisicamente. Apesar das sondagens, disse que quer permanecer e cabe a diretoria não liberá-lo. Pode render muito ainda nesse grupo. Merece elogios pelo que representa.
Marcone: Muito mal, o camisa 5 não conseguia acompanhar o jogo. Levava dribles ridículos e errava passes a todo momento. Seria bom se fosse emprestado para tentar se firmar em outro lugar. Tem potencial, precisa de insistência.
Fabinho: Lento, não conseguia acompanhar o baixinho Osvaldo, tomou várias bolas nas costas, além de quase ter entregado o gol no início do jogo. Creio que não seja jogador pra estar no Bahia ano que vem. Foi bem útil esse ano, mas já deu.
Camacho: Irreconhecível, o camisa 16 foi muito bem. Começou o jogo executando bons passes, fez um lindo gol de fora da área e deu assistência. Apesar de alguns erros, foi muito bem na partida. Como ouvi em uma rádio, não custa "quase nada" ao time, então, creio que seja para renovar (não me matem). Ele é como o caso Dodô, vamos esperar pra ver.
Gabriel: O garoto foi bem ousado, mas ainda falta objetividade. Ainda é muito novo e vai evoluir bastante.
Lulinha: Correndo mais do que é preciso, o pequenino foi muito bem na partida. Como sempre, esbanjou vontade e é figura quase certa pro ano que vem. Bom banco.
Souza: Mesmo sem fazer gol, fez o seu papel. Pivô muito bom, além da luta que sempre acontece dentro de campo por parte dele. Deve renovar pra 2012. Espero que se firme.
Danny Morais: Entrou bem, não comprometeu. Bom banco para 2012.
Júnior: Quase fez um gol de cabeça logo após sua entrada. Segurou bem a bola e fez alguns bons passes. Até pela idade, não creio que seja reforço para 2012.
Nikão: O camisa 60 entrou bem. Exagerou na força em alguns passes, mas deu uma boa consistência ao meio de campo tricolor. Merece permanecer, por corresponder as chances dadas no fim do campeonato. Tá na hora dele parar em algum lugar e eu acho que aqui é o lugar certo. Tem qualidade e parece ser um ótimo banco para o time em 2012.
Joel Santana: Escalou um time duvidoso, mas foi feliz. Fez uma substituição forçada, uma que não mudou e uma que ganhou o jogo. Parece que fica para o ano que vem, isso é muito bom, porque finalmente temos um técnico que já conhece o time.
O Bahia encerra 2011 bem, na Sulamericana. Ano que vem o time vai disputar quatro competições. Para que tudo ocorra bem, é preciso planejamento. Reforçar bem o time e não ter pena na hora de dispensar os malas. Tudo aconteceu bem, Bahia nas Américas, vice na segunda.
Rumo ao título da Sulamericana !
BBMP!
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